RESIDUOS

Gestão de Resíduos (SMMA)

Gestão fiscal, tributária e financeira para uma cidade mais eficiente.

21/08/2025 - Legislação
Florianópolis revisa plano que estabelece as metas lixo zero
Capital opera serviços de coleta seletiva há 40 anos, mas fração de rejeito que vai para aterro sanitário também não para de crescer

foto/divulgação: Adriana Baldissarelli/Divulgação Comcap

Oficinas revisão plano de gestão de resíduos próximos 20 anos

Florianópolis já é a capital que mais recicla no Brasil e, agora, faz a última parada antes de 2030 para revisar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (Pmgirs). No primeiro ciclo de oficinas esta semana, com a participação de mais de 100 pessoas, foram abordados os cenários “onde estamos” e “onde queremos chegar” na valorização dos resíduos orgânicos e na cadeia de recicláveis secos e inclusão de triadores.

 

A vice-prefeita Maryanne Mattos, ao abrir o evento de terça-feira (19), destacou a oportunidade de ouvir a sociedade para reforçar o modelo inteligente e inovador na gestão de resíduos de Florianópolis e para incorporar mais tecnologia e renda ao setor.

 

As metas lixo zero da Capital Catarinense começaram a ser implementadas ainda na metade dos anos 1980, com o projeto Beija-Flor. São quase 40 anos de esforços pela separação dos materiais recicláveis ou compostáveis e pela redução do rejeito que vai para aterro sanitário.

 

 

Economia com reciclagem

Embora nesse período não tenha conseguido atingir patamares europeus de recuperação de resíduos, Floripa tornou-se referência nacional. Consegue desviar do aterro sanitário, 13% do total de resíduos no geral da cidade e em bairros como o Itacorubi, o percentual sobe para 28%. Isso é mais de cinco vezes o que conseguem as grandes cidades brasileiras.

 

 

Sem contar ganhos ambientais, cada tonelada que deixa de seguir para o aterro economiza R$ 261 para o município. Por ano, essa economia chega a mais de R$ 9 milhões.

 

 

A cidade está no caminho certo. Apesar de coisas a ajustar, somos modelo para o país. Mas moramos numa ilha e vivemos numa sociedade de consumo, não tem como caminhar para trás. Há 300 anos o ser humano tinha dois pés e um par de sapatos. Hoje continua com dois pés, mas alguns têm 50 ou 60 pares de sapato. Vamos continuar produzindo resíduos e a sociedade tem de escolher, de forma realista, como vai lidar com isso”, ponderou o secretário municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alexandre Waltrick Rates.

 

 

Rejeito cresce mais que população


Florianópolis cresce muito e tem uma população com alto poder aquisitivo que gera em média 1,1 quilo de resíduos per capita por dia. Apesar da histórica sensibilização ambiental, das políticas públicas avançadas e do alto desempenho da coleta seletiva pública, desde 2018, quando foi formalizado o decreto lixo zero, a população cresceu 18%, mas a geração de rejeitos aumentou 33%.

 

 

O destino dos resíduos depende da escolha do gerador. O que ele decide comprar e como vai descartar é o que define a vida pós-consumo do produto. Não adianta criarmos 10 tipos de coleta seletiva se o usuário não aderir, se não dispuser o reciclável da maneira adequada”, aponta o subsecretário de Resíduos Sólidos, Ulisses Laureano Bianchini.

 

 

Por isso, o subsecretário anunciou novas oficinais para apresentação de tecnologias e para discussão das metas futuras, estendendo o calendário de discussão até outubro. “Não temos pressa, queremos o máximo de contribuições para aprovar, ano que vem, uma revisão que seja a melhor para a cidade”, comentou o engenheiro sanitarista.

 

 

Metas são da cidade

 

Floripa hoje supera as metas estabelecidas para a região Sul. O desafio é que o plano atual estipula a recuperação de 60% dos recicláveis secos e 90% dos compostáveis orgânicos até 2030.

 

As metas são muito audaciosas e a cidade terá de decidir se vai mantê-las e, o que é mais importante, se vai cumpri-las. Também pode-se pensar em alongar os prazos”, pondera a coordenadora técnica da revisão do Pmgirs, engenheira sanitarista Karina da Silva de Souza.

 

 

A possibilidade de unir os atores e debater diretrizes, planos, metas e ações também tem impactos imediatos sobre a melhoria do sistema. Por exemplo, no debate de terça-feira, com representantes das unidades de triagem de recicláveis secos, Volmir Rodrigues dos Santos, o Preto, da Associação de Coletores de Materiais Recicláveis (ACMR), observou que se fosse implantada coleta monomaterial de papelão, assim como já existem as de vidro e de orgânicos compostáveis, o material seria recolhido por clandestinos e não sobraria nada para os triadores formais.

 

 

OFICINAS

 

Recicláveis orgânicos

 

Restos de alimentos: cascas de frutas, verduras e sobras alimentares = 5 mil toneladas recuperadas em 2024

Verdes: grama, capim, flores, galhos, cascas e galhos de árvores = 7 mil toneladas recuperadas em 2024

  

13% de desvio do aterro sanitário

 

Estratégias atuais de valorização:

 

Minhoca na cabeça para tratamento domiciliar, desde 2017, mais de 3 mil kits entregues com capacitação

 

Coleta seletiva ponto a ponto coleta em bombonas duas vezes por semana em sete bairros (Maciço do Morro da Cruz, Monte Verde, Morro do Quilombo, Ratones, Ribeirão da Ilha, Jurerê e Monte Cristo), desde 2020

 

Seletiva flex porta a porta desde 2021, coleta mecanizada com contentores de 120 litros duas vezes por semana em nove bairros com atendimento de 20% dos condomínios da cidade

 

Seletiva de verdes coleta de resíduos verdes com caminhão compactador atende todos os bairros a cada 20 dias, começou em 2021

 

Pátios descentralizados com remuneração por serviços de compostagem (Família Casca, Ribeirão da Ilha e Ecoquilombo

 

Beneficiamento de podas urbanas desde 2010, no Centro de Valorização de Resíduos (CVR), Itacorubi

 

Compostagem institucional desde 2008, no CVR, com leiras de compostagem método Ufsc

 

Compostagem em caixas d’água 38 unidades implantadas desde 2022 em unidades de educação, saúde, assistência social e Ecopontos

 

Cultiva Floripa mais de 150 hortas implantadas.

 

 

PROPOSIÇÕES DA OFICINA

 

Principal deficiência é a falta de áreas disponíveis para implantação de pátios descentralizados de compostagem. Mais de 40% do território de Florianópolis são áreas de preservação ambiental, onde não são permitidas atividades de gerenciamento de resíduos. Além disso, em áreas adensadas, há o impacto de vizinhança e alguns grupos de moradores ainda rejeitam equipamentos de valorização de resíduos. Sugestões feitas:

 

 

Poder público deve instar empreendimentos imobiliários a criar sistemas de gestão de resíduos que operem como pátios de compostagem na sua própria área, adjacências ou em locais distantes por compensação.

 

Criar “selo amigo da comunidade” para quem destinar resíduos orgânicos de forma correta para comprar alimentos produzidos na comunidade local.

 

Usar áreas verdes livres (AVLs) e áreas públicas para pátios de compostagem e agricultura urbana em modelo de parceria público privadas.

 

Usar áreas de preservação permanente (APPs) para pátios de compostagem.

 

Retomar a política para incentivar o tratamento de resíduos sólidos inspirada no Projeto Beija-flor.

 

Estimular soluções para resíduos em empresas locais de tecnologia e aportar mais recursos públicos para viabilizar operações comunitárias.

 

Definir metas realistas e vinculadas a recursos financeiros públicos viáveis.

 

Manter editais permanentemente abertos para novos pátios de compostagem e melhorar subsídios novos ou inativos. Criar remuneração diferenciada para pátios que realizem a coleta dos resíduos.

 

 

Manter processo de sensibilização e capacitação de síndicos para expansão da coleta de resíduos orgânicos.

 

Criar estratégia para implantação da coleta de orgânicos em domicílios unifamiliares.

 

 

Recicláveis secos

 

Metais, papel, papelão, multicamada, plásticos e vidro, todo material que pode ser transformado em matéria-prima para fabricação de novos produtos = 12,5 mil toneladas coletadas em 2024

 

11% de desvio do aterro sanitário

 

Estratégias atuais de valorização:

 

Seletiva mista coleta porta a porta de plástico, metal e papel. Operada com caminhões compactadores em 70% das ruas e 100% dos bairros

 

Seletiva flex de vidro coleta mecanizada porta a porta exclusiva para a fração vidro em 25 bairros

 

Pontos de entrega voluntária (PEVs) de Vidro mais de 300 contentores de 2,5 mil litros instalados em pontos estratégicos em toda cidade

 

Ecopontos nove equipamentos para entrega voluntária implantados em nove bairros que atendem todas as regiões (Itacorubi, Capoeiras, Monte Cristo, Canasvieiras, Morro das Pedras, Rio Vermelho, Ingleses, Costeira do Pirajubaé e Coloninha

 

Unidades de triagem há oito associações e cooperativas instaladas em Florianópolis que recebem materiais recicláveis coletados pelo poder público e quatro cadastradas para pagamento por serviços de triagem. São elas ACMR, Renascer 4 Rs, Amigos da Natureza, Aresp, Recicla Floripa, Sul Recicla, Cooperelo e Coopermais.

 

 

PROPOSIÇÕES DA OFICINA

 

Principal problema é que não há no Brasil a responsabilidade estendida pelo ciclo de vida do produto colocado no mercado. A logística reversa de embalagens é frágil, onera o poder público e vulnerabiliza o triador. A indústria, o importador e o comércio ainda não assumem a responsabilidade pelo produto no pós-consumo. Sugestões feitas: 

 

Mudar o equipamento da coleta seletiva para eliminar a compactação dos recicláveis secos.

 

Tomar medidas para reduzir o rejeito na triagem dos recicláveis.

 

Capacitar unidades de triagem para elaboração de projetos e captação de recursos.

 

Formalizar relação entre a prefeitura e as associações/cooperativas com criação de conselho ou reuniões regulares.

 

Recuperar minuta feita pelo Girs e Consab em 2018.

 

Implantar coleta seletiva em áreas de interesse social.

 

Desenvolver campanhas de comunicação integradas para estimular a separação adequada dos recicláveis, reduzindo o percentual de rejeito nas unidades de triagem.

 

Ampliar a fiscalização e a punição para o descarte incorreto de recicláveis.

 

Treinar operadores de Ecopontos e garis para reduzir a contaminação dos recicláveis.

 

Inibir a coleta seletiva informal e clandestina.

 

 

CLIQUE AQUI para ver matéria sobre oficinas 3 e 4 sobre logística reversa e resíduos do comércio e indústria


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