foto/divulgação: Petra Mafalda/PMF
População escolheu as obras prioritárias
A construção do elevado do Rio Tavares, no Sul da Ilha, foi eleita pela população de Florianópolis, dentro do programa Orçamento no Bairro, a obra prioritária a ser iniciada pela administração municipal. A opção pelo elevado foi anotada por 1.162 moradores que compareceram às urnas na manhã deste domingo (27), com exatamente o dobro dos votos da segunda escolha, a construção de um elevado na rótula de Canasvieiras (581 votos). A terceira opção mais votada foi a criação de uma casa dos conselhos comunitários para o município, que recebeu 271 votos.
A votação deste domingo encerrou a primeira edição do programa Orçamento no Bairro, que começou em outubro do ano passado e recebeu um total de 996 sugestões de obras para serem submetidas à vontade popular. Para efeito de distribuição de propostas, a cidade foi dividida em seis regiões e estas divididas em microrregiões, num total de 30. Nesta última votação, foram escolhidas 30 obras microrregionais no valor de até R$ 250 mil cada uma – outras 30 já haviam sido escolhidas em assembleias setoriais anteriores – seis obras regionais, no valor de R$ 1 milhão cada, e a obra para a cidade.
Nas obras regionais, foram aprovadas a revitalização e reforma da praça Senador Renato Ramos Silva, no Balneário (região do Continente), o investimento em centros comunitários em algumas comunidades do Maciço do Morro da Cruz (região do Maciço), a revitalização e reforma da praça Santos Dumont, na Trindade (região Central), a construção de um centro de saúde nos Ingleses Norte (região Norte), a construção de um centro esportivo, praça e espaço com pista de skate, bicicleta e aparelhos de ginástica no Campeche (região Leste) e a construção de uma praça na avenida Deputado Diomício Freitas, no bairro Carianos (região Sul).
As obras aprovadas nas primeiras assembleias microrregionais, a obra da cidade, as obras regionais e as microrregionais aprovadas nesta segunda votação - ressalvando que três microrregiões votaram em duas ao mesmo tempo, pois não houve votação na primeira assembleia - estão disponíveis em documentos abaixo, para download.
As urnas estiveram à disposição da população, das 8 ao meio-dia deste domingo, em 54 pontos da cidade, na Ilha e no Continente. A votação ocorreu sem incidentes.
O prefeito votou às 11 horas na EB José do Vale Pereira, no bairro João Paulo, e demonstrou sua satisfação com o processo de participação popular, que, para ele, “veio para ficar”. "Esta é a primeira edição de um projeto que precisa ser aperfeiçoado, mas veio para ficar. O Orçamento no Bairro permite que todos, de forma democrática, participem da administração municipal, elegendo aquilo que julgam mais importante para suas comunidades e para a cidade", disse.
Nos bairros
No Morro das Pedras, Sul da Ilha, a votação começou tarde: só às 9h40 foi depositado o primeiro voto na urna, apesar de as portas da EB José Amaro Cordeiro estarem abertas desde as 8. A pioneira, Andréa Cristina Souza, custou a acreditar que era a primeira: “Cadê esse povo, que não acorda?”, perguntou.
O último a votar foi, embora pareça estranho, o primeiro a chegar: José Luiz Barbosa, 59, zelador da José Amaro Cordeiro, estava lá às 7h45 para abrir as portas da escola e ajudar a instalar os apetrechos da eleição. Quando voltou às 11h50 para desmontar o aparato, aproveitou e depositou o voto na urna, juntamente com a filha Letícia. “O povo que não votou não vai poder reclamar depois se alguma coisa deixar de ser feita no seu bairro”, ponderou.
Na EB Intendente José Fernandes, nos Ingleses, Norte da Ilha, Manoel Felipe dos Santos, 42, ficou sabendo do Orçamento no Bairro apenas neste final de semana, e gostou da ideia. “Alguma coisas votadas aqui são realmente importantes para nosso bairro”, admitiu.
Não muito longe dali, na EB Professora Herondina Medeiros Zeferino, houve um espécie de consenso em torno de uma obra – ‘revitalização e humanização da saída para a praia na altura da Escola Gentil Mathias’ – e a maioria votou nela, “Acho uma obra importante para a comunidade”, disse Luiz Henrique dos Santos, 20. "O que está se querendo é viável e tenho a curiosidade de saber quais critérios técnicos serão utilizados. Como arquiteta, estou aqui para contribuir. Será definido um grupo de moradores que irá acompanhar de perto a evolução do projeto e ele será ecologicamente correto", completou Suzana de Souza.
Em Coqueiros, no Continente, um grupo de moradores se reuniu logo cedo, por volta das 9h. Marcos Pinar, presidente do Conseg do bairro, Beatriz Cardoso, Sandra Pisani, Airton Farias e Valerio Cardoso marcaram o encontro no Colégio Estadual Presidente Roosevelt e pelo celular cobravam daqueles que ainda não tinham chegado para o compromisso. “Um votando sozinho não faz muita diferença, mas se unindo a gente consegue. Queremos as lombadas da Almirante Tamandaré e a revitalização completa da Praça Renato Ramos da Silva”, disse Airton, 73.
Em Capoeiras, na Escola Aderbal Ramos da Silva, Hugo Belli, presidente do conselho comunitário do Estreito, também avisou a todos os moradores sobre a votação e ficava feliz quando a comunidade começava a chegar. “Precisamos do término da revitalização da avenida Beira-mar Continental, entre tantas outras demandas”, disse.
No Colégio Irineu Bornhausen, no bairro da Coloninha, também na região continental, votou o auxiliar administrativo Sandro José de Melo: “Moro no Balneário há 30 anos e é a primeira vez que participo de uma votação como essa. Acho superimportante ajudar a escolher as obras no nosso bairro e também na cidade. Acompanhei o programa desde o começo e espero que as obras que escolhi sejam as mais votadas.”
Ainda no Irineu Bornhausen, Alexandre Farias, que mora no Estreito desde que nasceu, há 39 anos, aprovou o projeto: “É uma iniciativa muito boa, mas a população precisa participar mais.”