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10/10/2014 - Comunicação
CAP garante apoio didático a alunos cegos
Trabalho da Prefeitura de Florianópolis atende escolas de toda a região

foto/divulgação: Petra Mafalda

Transcrição de material didático em Braille no computador

Martim, Gabriela, Jasmine e Otávio são alguns dos 18 estudantes cegos de 7 a 18 anos de Florianópolis e região matriculados em turmas regulares do 1º ano do ensino fundamental ao 1º ano do ensino médio, em escolas públicas e privadas. Eles são conhecidos pelos nomes pelos transcritores de Braille de seus livros e materiais didáticos. Atenções semelhantes recebem os dois alunos com baixa visão que têm seus livros escolares ampliados (com textos em fontes maiores), de modo a poderem acompanhar o mesmo conteúdo dos colegas de classe que enxergam normalmente.

 

Este atendimento personalizado, voltado à inclusão escolar, é feito pelo Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP) vinculado à Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis. O CAP é resultado de uma parceria entre a Prefeitura e o Ministério da Educação, razão pela qual atende, além de Florianópolis, os municípios de Águas Mornas, Angelina, Anitápolis, Antônio Carlos, Biguaçu, Governador Celso Ramos, Palhoça, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz, São Bonifácio, São José e São Pedro de Alcântara.

O CAP Florianópolis atendeu 124 crianças e adolescentes, sendo que, muitos deles, cursam universidade. Alguns, inclusive, já se formaram no ensino superior. Desde o início do programa, já foram transcritos em Braille 164 livros infantis e 651 obras didáticas, material este que, se não sofre grandes alterações de um ano para outro, é reaproveitado.

O CAP também oferece serviços de produção de livros em áudio - para uso através do computador na própria sala de aula pelos alunos do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio, e, em casa, pelos estudantes das séries iniciais do ensino fundamental. Nos últimos dois anos, foram feitos dez livros em áudio.

O prefeito Cesar Souza Júnior, que durante esta semana visitou o CAP, disse se sentir gratificado ao “saber que alunos da nossa rede de ensino e de outras cidades estão num forte processo de inclusão social que não para de evoluir”.

“Felizmente, a Prefeitura, através do CAP, está ampliando o atendimento para os deficientes visuais em toda a região metropolitana, num trabalho contínuo de aperfeiçoamento, gerando uma educação verdadeiramente cidadã”, completou o prefeito.

Produção 

O CAP Florianópolis também faz produção e adaptação tátil (em relevo) de materiais pedagógicos como mapas, gráficos, tabelas e textos, entre outros. De acordo com a coordenadora em exercício do CAP, Vanilúcia Calazans Espíndola, as texturas diferentes de tecidos e papéis usados nestas adaptações de livros infantis aguçam a criatividade das crianças em geral. Tanto que, muitas vezes, o livro feito manualmente para o aluno com deficiência visual acaba sendo compartilhado pela turma, por ter mais graça do que o livro em tinta, impresso em escala industrial.

“A criança cega se beneficia muito porque trabalha os conceitos. Mas, além disso, um material mais interessante também é um instrumento de inclusão”, atesta Vanilúcia. Ainda segundo ela, são feitos dois exemplares de cada livro tátil para que um seja disponibilizado para empréstimo no CAP, e o outro fique com o aluno para o qual foi destinado. “A criança tem que tocar muito no livro para poder aproveitá-lo”, justifica.  Um destes livros feitos pelo CAP Florianópolis chegou a ser mostrado em novela de TV.

Tanto os livros e materiais didáticos transcritos para o Sistema Braille quanto os livros em áudio são produzidos através de programas de computador específicos. As editoras repassam arquivos com os originais das obras impressas em tinta para as transcrições em Braille, sendo que, neste processo, apenas as ilustrações mais significativas são descritas. Já no livro em áudio, todas as figuras dos livros comuns são consideradas.

O Braille é o sistema de escrita da pessoa cega em que apenas seis pontos possibilitam 63 combinações, perfazendo o alfabeto, os números e sinais.

Capacitação

Ainda segundo relato de Vanilúcia Calazans, o Estado de Santa Catarina foi pioneiro em adotar política educacional de integração de cegos. Assim, desde 1986, as pessoas com deficiência visual estudam em salas regulares e recebem atendimento especial de pedagogos com formação em educação especial no contraturno escolar, em salas multifuncionais da rede municipal de ensino.

Nestas salas, as pessoas cegas são alfabetizadas em Braille e aprendem simbologias novas e a utilizar os livros didáticos e os recursos que contribuem para a assimilação do conteúdo, como materiais geométricos tridimensionais. Além disso, são orientadas a como usar a máquina Perkins, de escrever em Braille, na qual farão as atividades e trabalhos a serem entregues aos professores; a reglete, a régua que permite escrita em Braille de forma mais manual, e o sorobã, uma espécie de ábaco que auxilia o estudo da Matemática.

Já o CAP Florianópolis atua, principalmente, na produção de materiais, razão pela qual conta com 16 transcritores do Sistema Braille e dois revisores - estes, cegos. Mas o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual também promove cursos e consultorias para capacitação da comunidade escolar, sobretudo professores de salas regulares das escolas públicas e particulares que forem lecionar para crianças e adolescentes cegos.

Atualmente, o CAP atende nove estudantes com deficiência visual de Florianópolis. Deles, três frequentam as escolas básicas Donícia Maria da Costa, no Saco Grande, e Intendente Aricomedes da Silva, na Cachoeira do Bom Jesus, da rede municipal de ensino. Os demais são da escola estadual Jornalista Jairo Callado, no Estreito; dos colégios particulares Tradição, na Trindade, e Nossa Senhora de Fátima, no Estreito, e do Colégio de Aplicação, ligado à Universidade Federal de Santa Catarina.


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