Mais elegante, mais original e relembrando o que foi no início do século XX. Assim está a Casa da Câmara e Cadeia, prédio histórico da Capital que passa por completa restauração e cuja obra está na reta final.
Quem circula pela praça XV de Novembro pode ter percebido o novo visual da estrutura. A pintura externa está pronta e traz a cor amarela, a original que foi utilizada há mais de cem anos, quando ela passou do estilo colonial para o eclético.
Muito diferente de uma simples reforma, a restauração do prédio é considerada 100% perfeita em termos técnicos. Uma comissão formada por especialistas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do Município (Sephan), da Secretaria de Obras e da empresa contratada se encontram semanalmente para discutir o andamento dos serviços, e eles precisam estar perfeitos.
“A empresa contratada é especialista nisso e ela não deixa passar nada, tem que estar tudo milimetricamente calculado e dentro das normas técnicas previstas em obras de restaurações históricas, por isso o cuidado”, explicou a diretora de Obras, Fernanda Driessen.
A previsão de entrega é para este primeiro semestre.
Piso superior e fachadas prontas
De todos os serviços em andamento, o piso superior e as fachadas já estão prontos, apesar de ainda restarem os acabamentos e a instalação de um piso de vidro. No térreo, as equipes seguem nas prospecções arqueológicas e no restauro do teto.
De acordo com a engenheira e arquiteta Fernanda, um dos próximos passos é iniciar a construção do anexo. “Já avançamos muito, mas ainda temos bastante trabalho pela frente, o bom é que está tudo dentro do que foi projetado”, disse.
O investimento é de aproximadamente R$ 7 milhões e os serviços deixarão o prédio de 900 metros quadrados tão novo como se estivesse sendo inaugurado agora.
A obra prevê um anexo de 225 metros quadrados. Lá, haverá um café, salas de apoio administrativo para o museu, banheiros adaptados e um elevador.
Cor rosa não tinha explicação histórica
Muitos devem se perguntar por que, afinal de contas, a Casa de Câmara, que ficou também conhecida como Casa Rosa, agora está amarela. Na verdade, segundo Maria Anilta Nunes, restauradora do Sephan e uma das responsáveis pelo projeto, a cor rosa não tinha fundamento histórico nenhum.
“Originariamente, a construção era em estilo colonial, branca com janelas verdes. No início do século XX, mudou do colonial para o eclético e passou a ser amarela, exatamente a mesma cor que passou a ter hoje”, relatou.
Museu da Cidade
O Serviço Social do Comércio (Sesc) foi o vencedor do edital lançado pela Prefeitura para implantar o museu no local. A ideia é transformar o espaço num museu que retrate a história de Florianópolis, tudo com interatividade e tecnologia, para permitir vivência dinâmica das obras e do espaço.
O museu deverá contar também a história da Casa de Câmara e Cadeia e de seu idealizador, Tomás Francisco da Costa. A Casa de Câmara e Cadeia é uma das três edificações mais antigas da cidade. Localizada junto à praça XV, no Centro, foi construída entre 1771 e 1780. Em seu piso inferior, funcionava a cadeia e no superior, a Assembleia Legislativa Provincial. A cadeia foi desativada em 1930, com a inauguração da penitenciária na Agronômica.