A Secretaria Municipal de Habitação e Saneamento entregou nesta quinta-feira (26) ao secretário do Continente João Batista Nunes o projeto arquitetônico da comunidade da Ponta do Leal. Em 30 dias, ele deve ser analisado e o sonho os moradores sairá do papel.
Com a medida, as famílias serão realocadas para o projeto Minha Casa, Minha Vida e também desocuparão uma área onde será construída a continuação da avenida Beira-mar Continental, ligando-a à BR-101.
Em um terreno de cerca de quatro mil metros quadrados, situado atrás de onde hoje a comunidade está instalada, serão construídos apartamentos de 53 m², através de financiamentos subsidiados do programa Minha Casa, Minha Vida, por intermédio da Caixa Econômica Federal.
"O que estava travado há tanto tempo, hoje estamos colhendo os frutos. As famílias receberão uma casa digna para morar e a região, às margens da Beira-mar Continental, será totalmente revitalizada", disse o secretário do Continente.
O representante da comunidade, João Luz de Oliveira, o Gão, falou sobre a trajetória das lutas, agradeceu a atenção dada pelos secretários e pelos oito anos de espera e explicou qual é o sentimento com este desfecho:
“Isso só prova que mesmo diante das dificuldades, quando um político quer fazer, quer olhar para a comunidade, ele muda tudo e consegue atingir o objetivo, e foi o que aconteceu com a nova gestão, todo o projeto foi acelerado e o resultado está aí.”
O prefeito Cesar Souza Júnior salientou que mais esta conquista mostra qual é a Florianópolis que se quer ver. “Diferente do que muitos pensam, a Capital não é só praia, não é elitizada, ela também tem 70 mil pessoas de baixa renda que precisam de atenção, de programas habitacionais, pessoas que merecem uma casa digna para morar”, disse.
Trabalho da nova gestão começou cedo na comunidade
O olhar mais cuidadoso com a comunidade da Ponta do Coral pela nova gestão que assumiu a Prefeitura começou cedo. O secretário João Batista Nunes vistoriou a comunidade e ajudou na reconstrução de quatro casas que foram destruídas por incêndio em 2 de janeiro.
Logo depois, em março, o secretário assinou um alvará de aprovação de desmembramento de terreno na Ponta do Leal, o que possibilitou o desenvolvimento do projeto e deu a largada para a viabilidade da reivindicação da comunidade, que começou há oito anos.
Entenda o caso
Localizada no bairro Balneário, na área continental de Florianópolis, a comunidade da Ponta do Leal existe desde a década de 70 e atualmente abriga 96 famílias. Em sentença favorável ao Ministério Público Federal, a Justiça determinou ao Município de Florianópolis que resolvesse os problemas locais de ligações clandestinas de esgoto e contaminação da areia da praia, entre outros.
Como não é possível manter-se a ocupação residencial atual da Ponta do Leal, nem a execução de um projeto de saneamento, já que muitas residências estão construídas sobre palafitas, ficou evidente, durante o processo, que é necessária a retirada da população da situação precária em que vive, com risco de saúde pública, através da sua inclusão em projeto de habitação popular.