A pedagoga da rede municipal de ensino de Florianópolis Márcia Helena de Souza, de 52 anos, é mãe de dois filhos e tem a vida marcada pela força silenciosa com que enfrentou o diagnóstico de câncer de mama em meio a um turbilhão de desafios familiares.
Na época, a vida parecia colocar à prova todos ao seu redor, marido havia passado por um transplante de fígado havia 6 meses, o irmão enfrentava problemas pulmonares e investigação de uma condição rara, a tia amada — lutava contra um câncer de intestino severo e seu filho com a mudança do corpo apareceu uma má formação de tórax necessitando de cirurgia. Diante de tanto, Márcia optou pelo silêncio. “Fiquei quieta, não falei nada, fiquei esperando todos os resultados. Só contei pra família quando marquei a cirurgia, Porque estavam todos muito sensíveis emocionalmente", relembra.
A descoberta do câncer veio como uma surpresa, especialmente para a pedagoga, que sempre manteve seus exames em dia. No ano anterior, o próprio médico havia elogiado a saúde de suas mamas. “Ele disse: ‘É tão difícil ver um seio tão limpo’. No ano seguinte, quando voltei, já precisei pedir a punção. Foi quando descobrimos que um dos nódulos era realmente suspeito — e se confirmou”, conta.
O diagnóstico precoce fez toda a diferença. “A médica que fez a punção ainda comentou que tive muita sorte, porque era algo difícil de localizar. Foi no comecinho”, explica. Em julho de 2016, Márcia passou por uma cirurgia de quadrante — sem precisar remover a mama — e, na sequência, realizou 30 sessões de radioterapia. Durante o processo, recebeu acolhimento e segurança de sua equipe médica, em especial do ginecologista Drº Renato Salerno Wilkens, que a acompanhava desde a época de suas gestações.
Mesmo em meio a mudança do plano de saúde da prefeitura, ela se manteve confiante quando, “Meu médico disse que faria o procedimento, pelo novo plano. Aquilo me tranquilizou muito.” Depois da cirurgia, Márcia foi encaminhada à oncologista Maria Teresa Evangelista Schoeller, que avaliou que não seria necessário fazer quimioterapia.
Durante a operação, o médico também fez um pequeno ajuste estético, centralizando o bico da mama após a retirada do quadrante. “Meu marido, que tinha recém passado por um transplante, me disse: ‘Não te preocupa, são marcas da vida. São marcas das nossas batalhas’”, lembra, emocionada.
O tratamento, realizado no Cepon, foi um divisor de águas. Lá, Márcia diz ter aprendido a enxergar a vida de outra forma. “Tu vê muita coisa, e acaba agradecendo. Eu tinha uma família, um plano, condições de buscar ajuda. Isso te fortalece.”
Hoje, aos 52 anos, ela carrega uma mensagem de gratidão e leveza. “A vida é uma só. Às vezes a gente valoriza o que não precisa. É olhar os pequenos detalhes — o mar, a chuva, o vento, o sol — e viver um dia de cada vez. Manter a calma, conversar com as pessoas certas, se cercar de quem te coloca pra frente. Porque o importante é seguir e lutar, um dia de cada vez.”