Criança moradora de rua, adolescente morador de orfanatos, ex-usuário de drogas, Diogo Trindade, membro da equipe de atletismo de Florianópolis, provou a tudo e a todos, nesta quarta-feira (23), que não existem traumas e barreiras que não possam ser superadas. Com duas medalhas de ouro penduradas no peito, conquistadas nos 400 e 1.500 metros nos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc), provou a si mesmo que não há motivos para desanimar. Desistir, nunca.
Pela manhã, na mesa de refeitório, o atleta de fala mansa, focada e sincera, pediu que fossem fotografá-lo à tarde, quando disputaria as provas, pois tinha certeza da vitória. “Volto com dois ouros hoje”, garantiu o atleta, deficiente auditivo, que completou 29 anos na última quarta-feira e que pela primeira vez disputa uma competição para deficientes.
“O atletismo me salvou, hoje minha vida é o atletismo. Vir aqui e vencer as duas provas é uma vitória, uma prova a mim mesmo”, disse emocionado Diogo Trindade. “É um grande resultado, tudo o que passei na vida eu supero nessas conquistas e nas outras que me trouxeram até aqui. Agora, vou para a São Silvestre e quem sabe ao Pan Americano, a Paraolimpíada, não vejo meus limites, sei que esse é o meu caminho.”
Nesta quinta-feira, Diogo vai em busca do ouro nos 5.000 e 10.000 metros.