Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes

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O QUE É PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL?

O Patrimônio Cultural Imaterial é formado pelos conhecimentos, práticas, celebrações, formas de expressão e lugares de memória que fazem parte da identidade de um povo e são transmitidos entre gerações.

 

Esses bens representam modos de viver, criar, celebrar e compartilhar conhecimentos, fortalecendo o sentimento de pertencimento das comunidades e contribuindo para a preservação da memória coletiva.

 

Em Florianópolis, o Registro do Patrimônio Cultural Imaterial é realizado pelo Município como instrumento de reconhecimento, valorização, preservação e salvaguarda dessas referências culturais.

 

Comissão de Avaliação de Patrimonialização Cultural Imaterial de Florianópolis

 

A Comissão de Avaliação de Patrimonialização Cultural Imaterial de Florianópolis é o órgão técnico e consultivo municipal responsável por analisar, julgar e validar quais manifestações culturais da capital catarinense possui relevância histórica e social para receber o título oficial de Patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível. Ela atua diretamente sob as diretrizes das políticas de cultura do município, associada a órgãos como a Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes. Alinhada às diretrizes nacionais, a comissão segue rigorosamente as normativas de registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), efetuando a inscrição das manifestações aprovadas em quatro livros de registros específicos: o Livro de Registro dos Saberes, o Livro de Registro das Celebrações, o Livro de Registro das Formas de Expressão e o Livro de Registro dos Lugares.

 

Principais Objetivos da Comissão

 

O propósito central da comissão é garantir a salvaguarda da identidade manezinha e das tradições locais. Seus objetivos específicos incluem: 

 

  • Identificar e Inventariar: Avaliar pedidos e mapear saberes, celebrações, formas de expressão e lugares que definem a história coletiva da cidade. 
  • Garantir a Preservação da Memória: Certificar manifestações tradicionais para que não desapareçam com o tempo e com o crescimento urbano. 
  • Fomentar Políticas Públicas: Viabilizar o direcionamento de verbas, estudos e apoio institucional do município para manter vivas essas práticas. 
  • Valorizar os Detentores de Saberes: Reconhecer formalmente os cidadãos e comunidades que transmitem essas práticas de geração em geração.

 

Conheça os bens culturais oficialmente registrados pelo Município de Florianópolis e descubra como saberes, celebrações, formas de expressão e lugares de memória preservam a história e fortalecem a identidade cultural da nossa cidade.

 

1. Procissão do Senhor Jesus dos Passos

 

  • Registro: Livro II (Celebrações), Reg. nº 001 | Ato: Dec. nº 17.462 (31/Mar/2017)
  • Realizada anualmente durante o período de quaresma, a Procissão do Senhor Jesus dos Passos é uma das maiores e mais longevas manifestações de fé pública da capital catarinense. Com mais de dois séculos e meio de história ininterrupta, o cortejo percorre as ruas do Centro Histórico, refazendo o tradicional trajeto entre a Capela Menino Deus, no Imperial Hospital de Caridade, e a Catedral Metropolitana. Este patrimônio cultural e religioso é marcado por uma profunda devoção, penitência e forte sentido de pertencimento comunitário, atraindo milhares de fiéis e visitantes em um rito que define a identidade espiritual de Florianópolis.

 

2. Festas do Divino Espírito Santo

 

  • Registro: Livro II (Celebrações), Reg. nº 002 | Ato: Dec. nº 18.555 (03/Mai/2018)
  • Introduzidas na região pelos colonizadores açorianos por volta de 1748, as Festas do Divino Espírito Santo representam uma das tradições mais vigorosas e icônicas de Florianópolis. Celebrada cinquenta dias após a páscoa cristã, durante o período de Pentecostes, a festividade mobiliza dezenas de comunidades e segue até setembro o seu ciclo festivo. A celebração promove um harmonioso encontro entre a devoção religiosa, as apresentações profanas e o folclore local, caracterizando-se como um forte movimento de comunhão, solidariedade e preservação da memória histórico-cultural da Ilha.

 

3. Terno de Reis

 

  • Registro: Livro II (Celebrações), Reg. nº 003 | Ato: Dec. nº 19.563 (04/Jan/2019)
  • Também conhecido como Folias de Reis, o Terno de Reis é uma das mais belas heranças lírico-musicais trazidas pelos imigrantes açorianos à antiga Vila de Nossa Senhora do Desterro a partir de meados do século XVIII. Celebrado tradicionalmente durante o ciclo natalino, o festejo envolve grupos de cantores e instrumentistas que visitam as casas da comunidade entoando versos em louvor aos Reis Magos. Esta prática coletiva une religiosidade e espontaneidade poética, funcionando como um elo intergeracional que mantém aceso o folclore e a identidade lírica de Florianópolis.

 

4. Folguedo Folclórico do Boi-de-Mamão / Danças do Boi

 

  • Registro: Livro III (Formas de Expressão), Reg. nº 004 | Ato: Dec. nº 20.629 (26/Ago/2019)
  • Expressão máxima do folclore ilhéu, o Boi-de-Mamão é um folguedo que mistura teatro popular, música, dança e artes plásticas, A brincadeira teve seu primeiro registro oficial em Florianópolis em 1870, essa encenação gira em torno da morte e ressurreição cômica de um boi. É um clássico exemplo de sincretismo e ressignificação popular, acompanhado por personagens carismáticos como a Bernunça, a Maricota e o Cavaleiro. Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Florianópolis desde 2019, o folguedo une gerações em praças, escolas e festas comunitárias, consolidando-se como um vibrante movimento vivo da nossa identidade cultural.

 

5. Bandas Musicais Civis Centenárias da Ilha de Santa Catarina

 

  • Registro: Livro III (Formas de Expressão), Reg. nº 005 | Ato: Dec. nº 23.408 (09/Dez/2021)
  • Reconhecidas oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial de Florianópolis, a Sociedade Musical e Recreativa da Lapa (fundada em 1896 no tradicional Ribeirão da Ilha), a Sociedade Musical Amor à Arte (nascida em 1897 no Centro) e a Sociedade Musical Filarmônica Comercial (a mais antiga da cidade).  Essas instituições civis moldam o cotidiano da cidade desde o século XIX. Mais do que preservar a nostálgica tradição das bandas de coreto, elas cumprem o nobre papel de oferecer educação musical gratuita para jovens, impulsionar a cultura comunitária e atuar como o coração rítmico das principais festividades públicas e religiosas da Ilha. Este espaço celebra e protege a arte instrumental que atravessa séculos, unindo gerações em uma só identidade.

 

6. Saberes e Práticas Tradicionais dos Engenhos de Farinha de Mandioca Artesanal

 

  • Registro: Livro I (Saberes), Reg. nº 006 | Ato: Dec. nº 23.650 (16/Mar/2022)
  • O cultivo da mandioca e a produção artesanal da farinha são saberes ancestrais que unem a herança indígena local às técnicas agrícolas dos colonos açorianos. Muito além da gastronomia, o processo da "farinhada" nos engenhos tradicionais da Ilha é um ato comunitário. Realizada em mutirões festivos, a prática fortalece laços sociais e preserva um saber-fazer essencial para a culinária, a memória afetiva e a memória coletiva de Florianópolis.

 

7. Lugar de Memória das Práticas da Coleta do Berbigão da Costeira do Pirajubaé

 

  • Registro: Livro IV (Sítios e Espaços), Reg. nº 007 | Ato: Dec. nº 26.215 (27/Mar/2024)
  • A Costeira do Pirajubaé abriga um ecossistema estuarino onde gerações de famílias têm na coleta do berbigão o seu sustento e estilo de vida. Mais do que uma atividade extrativista tradicional, este registro reconhece o território e as técnicas de manejo artesanal como um autêntico "Lugar de Memória". A proteção legal resgata a identidade histórico-cultural dessas populações de  coletores e pescadores tradicionais, colocando essa comunidade como  protagonista e guardiã do meio ambiente e da história de Florianópolis.

 

8. Procissão em Honra a Nossa Senhora de Fátima do Bairro Estreito

 

  • Registro: Livro II (Celebrações), Reg. nº 008 | Ato: Dec. nº 26.220 (27/Mar/2024)
  • Há mais de meio século, as ruas do Bairro Estreito, na região continental de Florianópolis, são tomadas pela devoção coletiva durante a Procissão em Honra a Nossa Senhora de Fátima. O evento atua como um pilar de identidade local e engajamento social, reunindo forças vivas da comunidade em um ritual que transcende o âmbito estritamente religioso para congregar moradores de diferentes idades. A celebração é um exemplo marcante de como a comunidade continental preserva, reconstrói e renova seus laços de união a cada nova geração.

 

9. Presépio Natural e Artesanal da Praça XV de Novembro

 

  • Registro: Livro III (Formas de Expressão), Reg. nº 009 | Ato: Dec. nº 26.219 (27/Mar/2024)
  • Nascido em 1973 a partir da genialidade de Franklin Cascaes e de seu parceiro Peninha, o projeto surgiu como uma resistência cultural e artística para resgatar o verdadeiro espírito natalino através da simplicidade e da valorização das raízes locais. Reconhecida como Patrimônio Imaterial da Capital, a instalação utiliza elementos naturais da Ilha, como cascas de ostra, palha e sementes, para conectar a cena bíblica à cultura açoriana, trazendo para junto da Sagrada Família personagens típicos como pescadores e rendeiras. Atualmente salvaguardada pelo artista Jone Cezar de Araújo, esta obra de arte viva transforma o Centro Histórico de Florianópolis em um cenário de contemplação, fé e exaltação ao talento artesanal que Cascaes imortalizou.

 

10. Associação Coral de Florianópolis

 

  • Registro: Livro III (Formas de Expressão), Reg. nº 010 | Ato: Dec. nº 26.216 (27/Mar/2024)
  • Fundada em 1960, a Associação Coral de Florianópolis é uma das instituições líricas mais respeitadas do estado de Santa Catarina. Ao longo de mais de seis décadas de atuação ininterrupta, o grupo tem promovido a democratização da música clássica e popular por meio do canto coral. Com um vasto repertório que abrange peças eruditas, folclóricas e canções de compositores catarinenses, a associação desenvolve um papel educacional e artístico vital, enriquecendo a vida cultural da comunidade e levando o nome da capital a palcos nacionais e internacionais.

 

11. Teatro Comunidade / Encenação da Paixão de Cristo do Ribeirão da Ilha

 

  • Registro: Livro III (Formas de Expressão), Reg. nº 011 | Ato: Dec. nº 26.217 (27/Mar/2024)
  • Realizada anualmente na histórica Freguesia do Ribeirão da Ilha desde 1981, a Encenação da Paixão de Cristo é um exemplo emblemático de teatro comunitário. O espetáculo, que ocorre na Sexta-Feira Santa, destaca-se pelo envolvimento direto dos próprios moradores do bairro — desde crianças até idosos — que atuam na produção, na confecção de figurinos e no elenco principal. Essa vivência cíclica fortalece o sentimento de união, preserva a herança histórica do Ribeirão e projeta a identidade do sul da Ilha por meio da dramaturgia popular.

 

12. Rancho de Pescadores Tradicionais no Município de Florianópolis

 

  • Registro: Livro I (Saberes), Reg. nº 012 | Ato: Dec. nº 26.218 (27/Mar/2024)
  • Os Ranchos de Pescadores espalhados pelas praias de Florianópolis são muito mais do que simples abrigos físicos para embarcações e redes de pesca. Eles funcionam como centros nevrálgicos de sociabilidade, cooperação e transmissão de saberes tradicionais relacionados à pesca artesanal (como a histórica pesca da tainha). Nesses espaços, pescadores e suas famílias mantêm vivas as técnicas de reparo de redes, a leitura dos ventos e das marés, além de rituais e histórias orais que definem a essência do modo de vida "manezinho" há gerações.

 

13. Práticas de Benzeduras

 

  • Registro: Livro I (Saberes), Reg. nº 013 | Ato: Dec. nº 26.214 (27/Mar/2024)
  • Prática ancestral de cura popular e fé que atravessa gerações, as benzeduras constituem um pilar da medicina tradicional e da religiosidade de Florianópolis. As benzedeiras e benzedores locais realizam ritos que mesclam orações de matriz cristã, a invocação de santos católicos e o uso gestual de utensílios domésticos e ervas (como galhos de arruda). Esse saber tradicional e comunitário, herdado de tradições europeias e indígenas, atua como um sistema informal de acolhimento e saúde espiritual, oferecendo conforto e preservando a sabedoria popular nas comunidades da Ilha.

 

14. O Presente de Iyemojá do Campeche

 

  • Registro: Livro II (Celebrações), Reg. nº 014 | Ato: Dec. nº 29.140 (09/Abr/2026)
  • Organizado anualmente no dia 02 de fevereiro pelo Instituto Odoya em estreita parceria com o terreiro de Candomblé Ile Axé Omi Olodo Tolá, o Presente de Iyemojá do Campeche é uma das celebrações religiosas e culturais de matriz africana mais representativas da cidade. Reunindo devotos na praia do Campeche, o rito consiste em oferendas ecológicas e cânticos à divindade das águas, simbolizando a resistência cultural, a pluralidade religiosa e a profunda conexão espiritual da população com o mar, enriquecendo a diversidade do patrimônio imaterial de Florianópolis.