Acap 50 Anos relê a obra do mestre Pedro Paulo Vecchietti
Patrono da Galeria Municipal de Arte de Florianópolis, o artista que introduziu o grafismo e a tapeçaria como manifestações artísticas em Santa Catarina tem seu legado ressignificado por 21 artistas.
A diretoria e 21 dos mais de 40 artistas associados da Acap (Associação Catarinense dos Artistas Plásticos) finalizam os preparativos para mais uma exposição — a quarta realizada na Capital em comemoração aos 50 anos da entidade. A coletiva “Combinações entre Natureza e Artifício – Ressignificações da Obra de Pedro Paulo Vecchietti” será inaugurada na terça-feira (7 de outubro), às 16h30, na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti, que tem como patrono o próprio homenageado, um dos oito fundadores da associação.
“É uma honra para a família receber esta dupla homenagem ao artista Vecchietti. Ele adorava quando suas obras eram revisitadas, pois isso o aproximava do pensamento de outros artistas plásticos”, destaca um dos quatro filhos, Paulo Renato Vecchietti.
Ele recorda que, embora a tapeçaria tenha se tornado a principal marca do pai, seu verdadeiro amor estava nas ilustrações gráficas (vinhetas) — ponto de partida para muitas de suas criações, que posteriormente se transformavam em tapetes. Paulo Renato também avalia levar a mãe, Marlytt, de 89 anos, à abertura da exposição.
As seis exposições programadas para 2025 e o lançamento de um livro comemorativo foram planejados para reverenciar a trajetória dos fundadores e parceiros da Acap, ao mesmo tempo em que valorizam os novos talentos — muitos deles nem nascidos quando a associação foi criada. A curadoria é assinada por Meg Tomio Roussenq e Anna Moraes.
O legado de Vecchietti e a arte dos grafismos
Formado em artes gráficas, Pedro Paulo Vecchietti foi um dos pioneiros a incorporar a tapeçaria e os grafismos ao universo artístico catarinense. Sua obra inspirou criações diversas, que estarão reunidas na mostra — instalações, telas, cerâmicas, pinturas, bordados, colagens e tapeçarias — todas reinterpretando sua linguagem com diferentes materiais e suportes.
Entre os destaques, Gavina apresenta “Olhar de Medusa”, trabalho que utiliza urdume e tramas em papéis xilogravados para discutir as transformações urbanas de Florianópolis, especialmente as relacionadas ao Plano Diretor e à verticalização da cidade.
Já Maria Esmênia, vice-presidente da Acap, apresenta “Fios e o caos do emaranhado cibernético”, feita com cabos de fibra óptica, fios elétricos e de cobre reaproveitados. A obra sintetiza a sobrecarga de informações e o colapso comunicacional contemporâneo, trazendo os “fios” de Vecchietti como metáforas das redes invisíveis da vida moderna.
Na cerâmica, Dulce Penna exibe “As Tramas da Vida”, mesclando tapeçaria com cerâmica biscoito queimada a 980°C. Já o associado mais antigo da Acap, Onildo Borba, apresenta “Sangue da Terra”, obra que une carpete, pirógrafo e tinta acrílica para refletir sobre a relação entre natureza e artifício.
Poéticas do urbano e da memória
A artista Gabriela Luft apresenta “Herbarium Architectonicum”, uma série de 12 aquarelas que transpoem fachadas e ornamentos urbanos para o universo botânico, criando uma “gramática visual” inspirada no olhar cuidadoso de Vecchietti sobre a cidade.
Ricardo do Rosário, em “Simbologia Cósmica”, retoma o símbolo da coruja para refletir sobre civilizações pré-humanas desaparecidas, criando uma pintura que mistura mitologia e crítica existencial.
Da nova geração, Larissa Arpana exibe “Vinhetas pulmonares em transmutação”, obra inspirada na tapeçaria “Transmutação”, criada por Vecchietti e Clara Fernandes. Utilizando imagens dos próprios pulmões sobre texturas que remetem às conchas de ostras, a artista propõe um diálogo entre corpo, fragilidade e criação.
Janete Machado, em “Pontos de Talento”, une tapeçaria e poesia visual, celebrando o encontro entre tradição manual e contemporaneidade. Marilene de Orleans Casagrande, por sua vez, apresenta “Viver é bordar a própria história no tecido do mundo…”, um tributo aos povos originários e às inscrições rupestres vistas como bordados ancestrais da humanidade.
Na fotografia, Maria de Minas traz “Ornamenta”, tríptico que contrapõe lustres e tetos ornamentados de igrejas e museus, criando um diálogo entre corpo, arquitetura e ornamento. Já Miriam Porto, com “Toalha da Vó Maria”, reflete sobre tempo, memória e meio ambiente a partir de uma peça de família transformada em arte.
Serviço
Abertura: 7 de outubro de 2025, das 16h30 às 18h
Visitação: de 8 de outubro a 7 de novembro de 2025, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h
Local: Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti — Praça XV de Novembro, 180, Centro, Florianópolis
Entrada gratuita