A Idade da Terra, filme derradeiro de Glauber Rocha, realizado em 1980, é o útimo longa da homenagem que o Cine Pitangueira faz ao cineasta, morto há 30 anos. A exibição é na próxima terça, dia 27 de setembro, às 19h. Autor de uma filmografia polêmica, Glauber causou furor no Festival de Veneza, em 1980, quando A Idade da Terra foi lançado. O diretor considerou uma injustiça e agrediu verbalmente juradores e vencedores, mas o filme teve importantes defensores.
O crítico Louis Marcorelles afirmou no "Le Monde", em setembro de 1980, que o filme não se enquadrava "em nenhuma das categorias conhecidas do cinema ocidental", representando um salto qualitativo conquistado pelo Terceiro Mundo. A mesma opinião era compartilhada pelo filho de Roberto Rossellini, o produtor Renzo Rossellini, que, após a sessão do filme em Veneza, classificou "A Idade" como "o maior desafio filosófico e formal que o Ocidente poderia receber no campo do cinema". O diretor Michelangelo Antonioni considerou o filme de Glauber "uma lição de cinema moderno".
Sinopse de Glauber para Idade da Terra
“O filme mostra um Cristo-Pescador, o Cristo interpretado pelo Jece Valadão; um Cristo-Nengro, interpretado por Antônio Pitanga; mostra o Cristo que é o conquistador português, Dom Sebastião, interpretado por Tarcísio Meira; e mostra o Cristo Guerreiro-Ogum de Lampião, interpretado pelo Geraldo Del Rey. Quer dizer, os quatro Cavaleiros do Apocalipse que ressuscitam o Cristo no Terceiro Mundo, recontando o mito através dos quatro Evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João, cuja identidade é revelada no filme quase como se fosse um Terceiro Testamento. E o filme assume um tom profético, realmente bíblico e religioso.”