Balanço final do 1º Mutirão de Recuperação de Crédito totalizou cerca de 2,8 mil atendimentos e pelo menos R$ 1,32 milhão em valores negociados durante o evento ocorrido na semana passada – ver quadro. Dentre os órgãos envolvidos, apenas o Banco do Brasil alegou não ter condições de mensurar os acordos fechados. O mutirão aconteceu de 16 a 20 de novembro, em frente à Catedral, numa realização da Secretaria de Defesa do Consumidor de Florianópolis (SMDC).
“Resultado tão expressivo demonstra o aproveitamento da oportunidade por parte de muitos inadimplentes que, por vezes, deixam de pagar suas contas por motivos alheios à sua vontade. Eles certamente passarão o Natal e a virada de ano mais tranquilos e, também por isso, ficamos contentes”, comentou o secretário Tiago Silva.
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis, que esteve à disposição do público para consultas gratuitas de verificação dos clientes das empresas associadas que se encontram no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), foi a campeã em número de atendimentos. No estande da CDL, foram atendidos 917 cidadãos.
A participação da Celesc e da Casan, que prestam serviços públicos essenciais, também engrandeceu a primeira edição do evento. No caso da Celesc, foram feitos 334 atendimentos e 101 parcelamentos no valor total de R$ 269.659,94, enquanto a Casan atendeu 67 usuários, tendo feito 21 parcelamentos totalizando R$ 38.049,35.
Bancos públicos
A Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Brasil (BB), o Santander e o Bradesco foram os bancos que aceitaram o convite da SMDC para participar do 1º Mutirão de Recuperação de Crédito. Desta forma, foi garantida aos devedores da Grande Florianópolis a possibilidade de negociação de dívidas com bancos públicos e privados.
A CEF foi, de todas as instituições bancárias participantes, a que apresentou os maiores resultados. Em seu estande no mutirão, foram realizados 653 atendimentos e negociado um total de R$ 710 mil, sendo que apenas um dos acertos feitos foi de R$ 120 mil. O volume de acordos firmados na ocasião não foi divulgado pelo banco.
“O mutirão foi excelente, excelente, excelente porque, com a intermediação do Procon de Florianópolis (vinculado à Secretaria de Defesa do Consumidor de Florianópolis), as pessoas se sentiram confiantes para negociar suas dívidas”, comemorou o gestor de Recuperação de Crédito da CEF, Orlando Elpo Filho. Segundo ele, a Caixa Econômica Federal atendeu, inclusive, clientes de outros Estados brasileiros.
A gerente de núcleo da Superintendência de Varejo e Governo SC do Banco do Brasil, Elisa Grabovski, informou que a quantidade de atendimentos feitos no mutirão foi cerca de 350. Mas explicou que a instituição optou por encaminhar os casos de inadimplência às respectivas agências de cobrança terceirizadas já incumbidas de cuidar deste tipo de situação ou às próprias agências dos clientes.
“Entende-se que o gerente de relacionamento pode prestar atendimento mais adequado ao perfil e à necessidade do cliente”, disse a gerente, segundo a qual, por esta razão, o banco não tem como informar ao certo quanto de acordo foi selado em decorrência do evento. Também vale destacar que, curiosamente, 45% dos atendimentos prestados no mutirão corresponderam a dívidas contraídas por clientes, hoje residentes na região, quando ainda moravam fora de Santa Catarina, sobretudo, no Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
Bancos privados
O Santander realizou 284 atendimentos e fechou 82 acordos - os quais foram firmados em contrato no próprio estande do banco no mutirão – no valor de R$ 192.500,00. De acordo com o gerente geral João do Carmo de Barros, na maioria dos contatos foi passada informação. “Foi bem bacana”, testemunhou.
Já o gestor do Grupo Gestão de Ativos do Bradesco, Bruno de Medeiros, conta que a instituição fez no mutirão 247 atendimentos. Eles resultaram em 90 acordos, 65 deles formalizados em contratos firmados na agência da Praça XV de Novembro, no valor de R$ 97.568,68, e outros 25 acertados através do telefone pelas centrais de atendimento, os quais somaram em torno de R$ 20 mil - totalizando aproximadamente R$ 118 mil em valores negociados.
Mas, segundo Medeiros, existe uma previsão de que outros acordos venham a ser firmados em virtude dos atendimentos que, aliás, superaram por volta de 65% as expectativas de público enquanto o montante negociado esteve dentro do esperado. “Participar do mutirão foi muito bom tanto para os clientes quanto para o banco, que teve a oportunidade de recuperar o crédito”, avalizou o funcionário.
Ainda cabe salientar que o Bradesco, além de renegociar dívidas dos inadimplentes, intermediou a resolução de problemas do gênero junto às lojas que utilizam o cartão de crédito do banco para pagamento.