Florianópolis desenvolveu modelo de coleta de resíduos sólidos flexível e adaptado às características de cada lugar. Nos dias 2 e 3 de setembro, o gerenciamento de resíduos em áreas críticas e de interesse social e de resíduos volumosos e de construção civil foi debatido em oficinas de revisão do Plano Municipal Integrado de Gestão de Resíduos Sólidos (Pmgirs), no Jardim Botânico de Florianópolis.
Os desafios para coleta, transporte e destinação adequada dos resíduos se dão pela geografia, vulnerabilidade e falta de infraestrutura principalmente em morros e encostas, ruas estreitas e regiões isoladas. Para superar a falta de acesso aos caminhões compactadores, a coleta em Florianópolis desenvolveu modalidades como coleta com veículos menores, lixeiras comunitárias, “puxadas” com lona por escadarias e vielas e até transporte por barco.
“A ausência de infraestrutura urbana básica dificulta a realização dos serviços e agrava o descarte inadequado em áreas de interesse social e ocupações irregulares. Em Florianópolis, as áreas críticas combinam desafios geográficos com questões sociais e ambientais, exigindo soluções adaptadas”, apontou a engenheira sanitarista Letícia Debiasi, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Também há o desafio de áreas com alta sazonalidade populacional. No verão, ocorre aumento súbito na geração de resíduos, o que faz a coleta se tornar diária nos principais balneários da Ilha de Santa Catarina.
Coleta marítima
Em regiões acessíveis apenas por trilhas ou barcos, como a Costa da Lagoa e a Barra da Lagoa ocorre a coleta marítima. O serviço é prestado por duas embarcações e dois barqueiros terceirizados, seis garis e três caixas estacionárias. Nessas áreas é feita a coleta de rejeitos seis vezes por semana no verão e três vezes no restante do ano. Também há coleta seletiva uma vez por semana e coleta de volumosos conforme agenda.
Para facilitar a vida dos moradores, os garis da Comcap mantém inclusive áreas de puxada dos resíduos por extensão de 1,5 quilômetro na Costa da Lagoa e de 1,3 quilômetro na Barra da Lagoa. Transportam os resíduos por trilhas e à margem do canal em sacos de ráfia, carrinhos e lonas até os contentores acessados pelos barcos.
Serviços de coleta adaptados
- Ruas estreitas atendidas com veículos menores (tração 4x4)
- Coleta com uso de lonas para “puxada” em 1,8 quilômetro de extensão
- Baixa produtividade dos roteiros, veículos andam em marcha ré, falta de conectividade entre as vias
- Cerca de 113 lixeiras comunitárias
- Caixas estacionárias (caçambas): 23 caixas fixas (5, 20 ou 30 m³) instaladas em locais estratégicos e de fácil acesso aos moradores.
- Coleta de resíduo volumoso com caixas estacionárias, conforme calendário.
Coleta no Centro
A gestão de resíduos sólidos no Centro da cidade é desafiadora, pela grande geração de resíduos pelo comércio e pela disposição inadequada, sem contentores, e fora de horário. Apesar da municipalidade oferecer coleta convencional e seletiva todos os dias, com repasses adicionais de madrugada, manhã e tarde, há sobrecarga para o serviço de limpeza pública.
O horário de funcionamento estendido do comércio, bares e restaurantes, de dia e à noite, e a falta de áreas para depósitos temporários e armazenamento de contentores em construções antigas e históricas têm orientado a ideia de instalar uma central de gerenciamento de resíduos no Centro, para entrega voluntária de resíduos. Também tem sido estudada a implantação de contentores subterrâneos de grande capacidade em pontos estratégicos.
Resíduos volumosos e de construção civil
Florianópolis mantém rede avançada de Ecopontos para recebimento de resíduos volumosos. São nove equipamentos públicos para entrega voluntária de pequenos volumes, até um metro cúbico, já segregados na fonte, no Itacorubi, Coloninha, Capoeiras, Costeira do Pirajubaé, Ingleses, Canasvieiras, Morro das Pedras, Rio Vermelho e Monte Cristo. Os Ecopontos atendem de domingo a domingo, das 7h às 19h.
A cidade também mantém serviço agendado de remoção de volumosos nos domicílios. Em 2024, por exemplo, foram realizados 4,6 mil atendimentos domiciliares para remoção de volumosos. Também faz coleta seletiva de resíduos verdes, uma vez ao mês, em todos os bairros da cidade.
As 17 intendências distritais, vinculadas à Secretaria de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, observou a engenheira sanitarista Simone Hillesheim, atuam no apoio à limpeza pública operando remoção de volumosos conforme demanda. Para otimizar a divulgação dos serviços oferecidos pela prefeitura e evitar o retrabalho foi feita capacitação dos intendentes em julho.
Todos os resíduos volumosos e de construção civil recolhidos pelo município são encaminhados para a área de triagem e transbordo (ATT). Madeiras são triadas manualmente, para uso nas leiras de compostagem e para encaminhamento para empresas de reciclagem. As podas urbanas são beneficiadas em picador próprio que opera no Centro de Valorização de Resíduos e destinadas às ações de agricultura urbana. Resíduos inertes são destinados a empresas parceiras de reciclagem de resíduos de construção civil e resíduos ferrosos a empresas de reciclagem de sucata metálica. Os resíduos que não podem ser recuperados são encaminhados ao aterro sanitário.
A expansão da rede de ecopontos, vencendo resistências comunitárias, a implantação de sistema de gerenciamento de resíduos da construção civil (RCC) e a criação de cadastro de pequenos transportadores de resíduos estão entre as soluções mapeadas para melhorar a gestão de volumosos em Florianópolis. Assim como incentivo ao uso de agregado reciclado em obras públicas e privadas. Também é necessária a regulamentação da Lei 718/2021 para sistematização e controle do transporte e destino final de RCCs e cadastro de áreas públicas e privadas para recebimento, triagem e armazenamento temporário, reciclagem e beneficiamento destes resíduos.
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