Antônio Jackson tem 52 anos e trocou Feira de Santana por Florianópolis há quase um mês. Viúvo e pai de um casal de filhos já crescidos, ele saiu da Bahia em busca de trabalho com apenas R$600. Com o objetivo de se prevenir de possíveis assaltos, ele separou a quantia do resto da carteira e guardou no bolso, por isso não viu quando o dinheiro caiu, possivelmente ainda no aeroporto. Antônio só percebeu que havia perdido o dinheiro quando chegou a Florianópolis, por isso logo procurou ajuda em uma delegacia e foi encaminhado ao Albergue Municipal.
Antônio se emociona sempre que é perguntado como foi recebido no local. Para ele, perder o dinheiro foi uma coisa boa, pois ele não teria procurado ajuda nem conseguiria se manter por muito tempo com a quantia que trazia.
Hoje instalado na Casa de Apoio, que fica no mesmo local do Albergue, ele conta que encontrou muito mais do que o dinheiro que trazia poderia lhe dar. Ele afirma que o conforto, a organização e o carinho recebidos no local compensaram totalmente a frustração de ter perdido as economias. Além de alimentação e abrigo, Antônio recebe acompanhamento médico e realiza alguns exames. “Aqui a gente dorme com ar condicionado, cama confortável e ainda tem segurança na porta, onde mais eu ia conseguir isso?”, disse Antônio, enquanto mostrava os leitos e as instalações do Albergue.
Já ambientado e encantado com a cidade, ele diz que não pretende voltar para a Bahia. Em sua cidade natal, Antônio trabalhava como marceneiro e eletricista. Ele conta que fazia de tudo um pouco e que veio para cá porque já não havia mais o que fazer. “Consertei tanta coisa lá que acabei ficando sem ter onde trabalhar”, brincou ele. Ao lembrar de sua cidade, ele conta que em 52 anos de vida nunca sentiu vontade de votar, nem fazer título de eleitor. Esse pensamento mudou completamente quando ele descobriu o apoio oferecido pela prefeitura e disse ter uma gratidão muito grande pela atenção que vem recebendo. Antônio diz que pretende votar pela primeira vez aqui em Florianópolis, pois nunca havia se sentido tão amparado quanto está sendo em Santa Catarina.
Já descontraído e sorrindo para ser fotografado, Antônio disse que muitas pessoas comparam seu sorriso ao de Zeca Pagodinho. Tímido e reservado, ele conta que nem de bebida ele nunca gostou. “Se juntar tudo que já bebi na vida, não dá três copos”.
Antônio é uma das 400 pessoas que já passaram pelo Albergue Municipal de Florianópolis, desde sua inauguração há 6 meses, e recebeu auxílio com alimentação, higiene e acomodação. Ele está recebendo acompanhamento direto, para receber tudo que precisa e ser encaminhado para o mercado de trabalho. O Albergue também indica locais onde os usuários do benefício teriam mais facilidade de morar, depois de já empregados e inseridos na sociedade.