SEMAS

Secretaria Municipal de Assistência Social

Gestão fiscal, tributária e financeira para uma cidade mais eficiente.

29/04/2015 - Social
Um final feliz tendo o Albergue como cenário
Ex-morador de rua ficou 10 meses na Casa de Acolhimento e agora vai comprar a casa própria

foto/divulgação: Thiago Mangrich / PMF

Seu Valter nas acomodações do Albergue Municipal

Depois de ultrapassar a marca de mil acolhimentos em oito meses de existência, o Albergue Municipal é contemplado com outra boa notícia: um de seus internos está prestes a ter um final feliz para sua história de vida.


“Acolhimento, saúde e esperança”. Com essa expressão o pernambucano Valter Dias da Silva, o “Seu Valter”, expressou o que conquistou nos meses em que permance no Albergue Municipal. O ex-morador de rua de 78 anos conta que o carinho e o apoio recebidos pelos assistentes que o acolheram foram essenciais para que ele se recuperasse. 


Agora é questão de pouco tempo para Valter realizar o seu grande sonho desde que chegou à cidade de Florianópolis: ter outra vez uma casa para morar.

A história de Valter promete ganhar novos capítulos nos próximos dias, pois, depois de tanto tempo abrigado na Casa de Acolhimento, o ex-morador de rua já está pronto para buscar um lugar para morar por conta própria. Valter conta que conseguiu juntar uma poupança, devido a uma quantia de dinheiro que estava atrasada, que deveria receber por conta do trabalho.

Mas isso só foi possível graças a uma ação da Prefeitura no ano passado, quando Valter foi acolhido em uma marquise no Centro. Ele lembrou do ato e agradeceu. “Se agora vou conquistar a minha casa própria, devo à Prefeitura que me tirou das ruas, me deu um espaço para me abrigar e cuidar da saúde. Além disso, me ajudou a viabilizar a realização deste sonho”, afirmou.

Mas antes de conseguir se estabilizar e poder pensar na casa e nos móveis que pretende comprar, o idoso passou por diversas dificuldades, antes de conhecer a equipe de Abordagem de Rua, que o apresentou os serviços da Assistência Social.

Ele relatou que teve sua aposentadoria cortada e tentou sobreviver com algumas economias que havia guardado. Já separado da mulher e morando em um quitinete com as despesas reduzidas, longe dos filhos, Valter contou emocionado que chegou a um momento da vida em que teve que escolher entre comer e ter onde dormir.

Em pouco tempo, ele estava dormindo nas ruas, procurando abrigo embaixo de marquises e usando caixas de papelão como cama. As únicas refeições que fazia eram sopas oferecidas por voluntários, que só eram servidas à noite.

Antes de ter de dormir nas ruas, Valter era funcionário aposentado do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS). Ele conta que veio a Santa Catarina a trabalho e acabou fixando residência em Rio do Sul, onde morou por vários anos trabalhando no INAMPS e, mais tarde, vivendo com o dinheiro da aposentadoria.

O pernambucano relata muito orgulhoso que sempre conquistou tudo com trabalho e honestidade e, apesar de todas dificuldades que passou nas ruas, nunca abriu mão de seus princípios. Sempre humilde, Valter conta que enquanto estava desabrigado ele sempre se manteve longe das drogas e do álcool. “Por mais difícil que a situação esteja, a pessoa não pode se entregar aos vícios, seja às drogas ou à bebida.”

Valter recorda que no momento da abordagem dos assistentes sociais, ele ficou confuso e não sabia do que se tratava. Ao conversar com os envolvidos e explicar sua situação, o então morador de rua se interessou pelo auxílio oferecido e resolveu aceitar a ajuda. Ele conta que aquela abordagem foi uma transformação em sua vida. De repente, as noites na rua não faziam mais parte de sua realidade e Valter passou a ter uma cama, refeições e acompanhamento médico.

A emoção é evidente quando “Seu Valter”, como é conhecido pelos colegas e amigos que fez no Albergue, fala sobre a ajuda que recebeu da Prefeitura de Florianópolis, através da Assistência Social. Para ele, o lugar não é uma casa de acolhimento, mas sim uma casa de família. O idoso diz ter um carinho muito grande por todos os envolvidos, mas principalmente por César Cruz, o coordenador do Albergue Municipal, que cuida do lugar e também participa das abordagens de rua. “O César é como um segundo pai”.

Atualmente, os problemas que rondam a cabeça de Valter são outros, como decidir o bairro onde vai morar e o que vai fazer da vida a partir de agora. O idoso tem orgulho de dizer que o próximo passo é voltar a trabalhar, mas desta vez para ele mesmo. Ele lembra que antes de se aposentar fez diversos cursos profissionalizantes e que possui bastante experiência em diversas áreas, principalmente em tratamento com o público.  

Valter foi mais um dos moradores de rua que aceitaram os serviços oferecidos pela Prefeitura de Florianópolis e pela Secretaria Municipal de Assistência Social. Ele conheceu o Albergue através da Abordagem de Rua, que é um serviço de busca ativa realizada de forma contínua e programada.


Para entrar em contato com a equipe da Abordagem Social, basta ligar nos telefones 0800 643 1407, 9957-2147 e 3223-0824.